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Empresário preso por elo com o PCC tem contratos milionários com o governo de Goiás

O empresário Adair Meira, de 63 anos, preso na semana passada em Goiânia sob acusação de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), preside a Fundação Pró-Cerrado, que mantém contratos com o governo de Goiás no valor total de R$ 141,5 milhões.

Esses contratos, assinados entre 2021 e 2025, envolvem serviços terceirizados, incluindo auxiliares administrativos, motoristas e operadores de call center para a Secretaria de Economia do estado.

Segundo investigações da Polícia Civil de São Paulo obtidas pelo UOL, Meira é um dos principais interlocutores de João Gabriel de Mello Yamawaki, operador de um banco ligado ao PCC. A relação entre eles foi descoberta através de mensagens trocadas em celulares apreendidos durante a operação Decurio.

A polícia acredita que Meira utilizava suas empresas para lavar dinheiro da facção criminosa, misturando recursos lícitos com ilícitos. A Fundação Pró-Cerrado, que continua vinculada à Secretaria de Economia, é uma das entidades investigadas, e embora a defesa de Meira negue qualquer envolvimento com o crime organizado, a organização se afastou de suas funções presidenciais por precaução.

O governo de Goiás, por sua vez, afirmou que está verificando os contratos em questão, mas ressalta que a gestão estadual não teve envolvimento direto com as acusações.

A Pró-Cerrado tem 12 acordos firmados desde 2010, com quatro ainda vigentes. O atual governo de Ronaldo Caiado (PSD), que assumiu em 2019, renovou dois contratos em 2021 e outros dois em 2022. O total desses acordos supera os R$ 141 milhões, e o mais recente foi firmado em 2025, com duração de um ano.

Apesar das acusações, o governo de Goiás afirmou em nota que a fiscalização dos contratos está sendo conduzida por órgãos de controle e que não há evidências de irregularidades durante a gestão estadual. A Controladoria do Estado iniciou uma investigação sobre os contratos, mas não forneceu uma data específica para a abertura do processo.

Ex-governadores de Goiás, como Marconi Perillo (PSDB), disseram não ter conhecimento sobre quaisquer irregularidades relacionadas às empresas de Meira durante seus mandatos. Ele afirmou conhecer as empresas do empresário e alegou que nunca foi alertado sobre possíveis problemas nos contratos.

O esquema de lavagem de dinheiro envolvia o uso de boletos pagos por empresas de fachada ligadas ao PCC, com os valores sendo sacados e devolvidos em espécie, operados por João Gabriel.

Segundo a investigação, esse processo envolvia o transporte de dinheiro entre estados por meio de aeronaves fretadas, o que indicaria o controle de Meira sobre grandes somas de dinheiro, dificultando o rastreamento dos recursos.

UOL

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