Rejeição de Jorge Messias estampa o desgaste entre o STF e o Legislativo
A decisão pela rejeição de Jorge Messias ilustra a profunda insatisfação do Parlamento com o governo federal e com o STF, o que pode impactar duramente nas eleições deste ano

O governo Lula acaba de sofrer a mais vexatória derrota deste seu terceiro mandato. Jorge Messias (Advogado-Geral da União) teve sua indicação para o Supremo Tribunal Federal rejeitada na noite de hoje no Plenário da Câmara. Foram 42 votos contrários a indicação e 34 a favor. Apesar da aprovação na CCJ, com forte lobby do governo Lula nos bastidores empenhando cerca de R$ 12 bilhões em emendas em abril às vésperas da sabatina de Jorge Messias, o Plenário da Câmara destruiu o sonho dos governistas em ter ais um, digamos, soldado orgânico do petismo na Suprema Corte do país.
Vale lembrar que é a primeira vez que isso acontece desde a época da República Velha. A oposição comemora mais esta vitória histórica, sobretudo pelo contexto político conturbado que vive o país. Há um significado ainda maior desta decisão do Parlamento brasileiro, pois simboliza que o Legislativo de fato não está satisfeita com as ações de do STF, especialmente com suas decisões nada convencionais e absurdas.
A desordem causada pela Suprema Corte foram tão epidêmicas que afastaram antigos aliados e produziram novos inimigos em várias setores, especialmente na sociedade civil, revelando o desgaste intenso entre os Poderes. Todos acompanhamos os desdobramentos das decisões abusivas e claramente persecutórias dos ministros do STF e interferências nas decisões legitimas e legais do Legislativo, e tudo com a anuência do governo Lula (pois quer a qualquer custo derrotar a Direita, mesmo que pela via inconstitucional). Isto acabou por construir uma plêiade de insatisfações profundas.
O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, declarou que o resultado traz um precedente importantíssimo de que um presidente da República precisa “pensar em colocar pessoas que respeitem a política, que não tragam essa carga de um governo que persegue opositores políticos. Um presidente que coloque a Constituição em segundo plano e em primeiro os pedidos do presidente”, disse.
A decisão de hoje simboliza que plenário do Senado Federal deu a resposta que os governistas e o Supremo Tibunal Federal precisavam. O governo federal terá que indicar outro nome e sabe que terá que agradar aquela parte belicosa do Centrão que ainda não debandou do barco lulista, mas seguramente sairá bem mais caro que liberação de emendas parlamentares.



