Master enviou R$ 285 milhões a fundo ligado a Vorcaro antes de liquidação
O Banco Master enviou R$ 285 milhões ao fundo Astralo 95, suspeito de desvios para beneficiar o banqueiro Daniel Vorcaro, às vésperas da decretação da liquidação da instituição financeira pelo Banco Central.

A transação é citada em ação judicial movida pelo liquidante do banco para tentar impedir que fundos e empresas ligadas a Vorcaro se desfaçam de bens do Master.
Os repasses foram feitos pelo fundo Máxima 2, controlado integralmente pelo Grupo Master, entre junho e setembro de 2025, e estão sob questionamento judicial pelo liquidante do banco.

Procurada, a defesa de Vorcaro disse que não iria comentar.
O BC fixou em 19 de setembro o termo legal da liquidação, data final do período em que transações podem ser contestadas judicialmente e anuladas para devolver recursos aos credores.
As transferências ao Astralo 95 estão dentro dessa janela de suspeição —ou seja, podem ser questionadas pelos devedores do Master.
A maior parcela, de R$ 150 milhões, ocorreu em julho. Nos dias que antecederam o prazo legal, foram enviados mais R$ 28 milhões em parcelas menores. Não há justificativa econômica identificada para as remessas, segundo o liquidante do banco.
As transferências ocorreram no auge da dificuldade financeira do banco, que não conseguia pagar seus investidores pelos retornos prometidos em CDBs (Certificados de Depósito Bancário).

Fundo da Reag
O Fundo Astralo 95 era administrado pela Reag Trust, gestora alvo da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal e outros órgãos, por suspeitas de lavagem de dinheiro para o crime organizado. O BC decretou a liquidação da Reag em janeiro.
Ele é parte de uma cadeia de fundos cujos beneficiários finais, segundo o MPF (Ministério Público Federal), são os filhos de João Carlos Mansur, dono da Reag, suspeitos de serem “laranjas” para Vorcaro e outros investigados.
Na última terça-feira, a Justiça de São Paulo reconheceu os indícios de irregularidades nos repasses e bloqueou a eventual alienação de bens ligados ao ex-controlador Daniel Vorcaro no Astralo 95 e outros fundos.
O juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências de São Paulo, apontou risco de “dilapidação irreversível do patrimônio” que deveria servir para saldar as dívidas com credores.
O Astralo 95 é o centro de uma cadeia de veículos financeiros pelos quais Vorcaro teria distribuído recursos desviados do banco.
É o único cotista do Fundo Termopilas, que controla a Super Empreendimentos e Participações S.A., empresa usada para adquirir imóveis de luxo ligados ao banqueiro, como uma mansão de R$ 36 milhões em Brasília.
Investigações do BC e da PF apontam ainda que o Astralo 95 intermediou a transferência de cerca de R$ 700 milhões em ativos do Master para uma offshore nas Ilhas Cayman em 2025.
Vorcaro está preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília desde 4 de março, quando a PF deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero.
O STF (Supremo Tribunal Federal), por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso, determinou naquela ocasião o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens dos investigados em fundos e empresas.
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado pela PF como operador financeiro do esquema, também está preso.
Outros bens
A ação mira ainda bens imóveis adquiridos por meio da Super Empreendimentos, empresa controlada pelo Astralo 95 via Fundo Termopilas.
Entre eles estão a mansão de R$ 36 milhões no Lago Sul, em Brasília, comprada em junho de 2024, e um apartamento duplex de cerca de 600 m² no Jardim Paulista, em São Paulo, adquirido em abril de 2023 por aproximadamente R$ 30 milhões.
O liquidante também pede o protesto contra a participação do Fundo Galo Forte —também cotista único do Astralo 95— na SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Atlético Mineiro. A suspeita é que Vorcaro tenha investido no time com bens do banco.
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