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POLÍCIA ITALIANA CAPTURA NEONAZISTA BRASILEIRO CONDENADO POR ASSASSINATO DE RIVAIS

João Guilherme Correa fugiu logo antes de ser condenado por matar um casal neonazista no Paraná

A polícia italiana prendeu nesta manhã o neonazista brasileiro João Guilherme Correa. A captura aconteceu em uma casa de fazenda na região de Pavia, a pouco mais de uma hora de Milão. Quando abordado pelos agentes italianos, ele apresentou um passaporte falso. Ele foi conduzido para a Delegacia Central de Milão, onde deve ser transferido para um presídio até que os trâmites de extradição sejam concluídos.

Correa havia fugido no dia 20 de março de 2025, três dias antes da sua condenação a 35 anos e 2 meses de prisão em regime fechado pelo assassinato a tiros do casal Bernardo Pedroso e Renata Pereira, em 2009, em Curitiba. No mesmo julgamento, Jairo Maciel Fisher também foi condenado, a 32 anos e 3 meses. Os dois foram acusados de executar o crime em uma emboscada.

A acusação do Ministério Público do Paraná apontou que o crime decorreu de uma disputa pelo comando de um grupo que idolatrava Adolf Hitler, depois de uma festa que celebrou os 120 anos do nascimento do ditador alemão.

Além da condenação por assassinato, Correa aguarda julgamento pela acusação de participar da organização neonazista internacional Hammerskin Nation. Segundo a investigação policial, ele tinha um papel de liderança na divisão brasileira do grupo.

Correa enganou o sistema judiciário para fugir. No dia 19 de março de 2025, véspera de seu julgamento, procurou a central de monitoramento da tornozeleira eletrônica solicitando um desligamento temporário, sob argumento de que precisava de uma cirurgia de emergência. Nessa ligação, ele foi orientado sobre quais os documentos precisaria enviar, e para quem. No dia seguinte, sua tornozeleira eletrônica foi desativada. Ele não compareceu ao julgamento nem à cirurgia.

A justiça brasileira não havia cancelado o passaporte do foragido, mesmo sendo notório que ele fazia parte de uma organização criminosa internacional com braços em diversos países do mundo. A Polícia Federal só colocou o nome João Guilherme Correa na Red Notice da Interpol em outubro de 2025.

Em maio de 2026, finalmente a polícia civil de Sarandi, Paraná, apreendeu os aparelhos celulares da namorada e dos pais de Correa, que ajudaram a traçar a rota de fuga.

A nossa equipe esteve na casa de fazenda logo depois da captura e falou com os donos da propriedade. Eles contaram que o brasileiro alugou em uma acomodação sob pretexto de tomar aulas de equitação. Outros hóspedes disseram que ele era recluso, mas saía pela manhã para correr na região. Ele foi capturado numa dessas saídas.

A casa de fazenda em Pavia, na Lombardia
A casa de fazenda em Pavia, na Lombardia

A prisão já começa a repercutir na Itália. O deputado Angelo Bonelli, da Aliança Verdes e Esquerda, disse em nota que a prisão é “uma conquista importante na luta contra o neonazismo internacional e contra aqueles que promovem o ódio, o racismo e a violência. As organizações neonazistas representam uma ameaça à democracia e devem ser combatidas com a máxima determinação e por meio de uma cooperação internacional cada vez mais estreita.”

 

 

Revista Piaui

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